5 vícios que entregam que foi a IA que escreveu o texto

por Dudu ·

5 vícios que entregam que foi a IA que escreveu o texto

Existem cinco vícios de escrita que entregam quando foi a IA que escreveu um texto: travessões soltos, o contraste de molde, o tom de documentário, o jargão vazio e a fechada grandiosa. Um memo interno do time de Alex e Leila Hormozi, da Acquisition.com, listou esses tiques. Era pra circular só dentro da empresa, vazou, e tem um efeito chato: depois que você enxerga os cinco uma vez, não consegue mais ler um post, um email ou uma legenda sem reparar neles.

Este post explica por que a IA cai sempre nos mesmos padrões, mostra os cinco vícios um por um e dá o caminho pra escrever sem que ninguém suspeite da máquina.

Por que a IA escreve sempre do mesmo jeito

A IA escreve pelo caminho mais seguro porque não tem opinião nem gosto, só repetição. Ela aprendeu com bilhões de textos e devolve o que mais apareceu, o que menos arrisca, o que menos chama atenção.

Por isso o resultado fica estranho. Sai polido, sem nenhum erro de português, e ao mesmo tempo sem digital nenhuma. Parece que qualquer pessoa escreveu, e foi exatamente ninguém. O que a IA mais repete não é um assunto, é uma forma: as mesmas palavras, a mesma estrutura e o mesmo final redondo, espalhados em post, email e legenda.

Os 5 vícios que entregam o texto de IA

Os cinco vícios que o memo da Acquisition.com nomeou são estes:

  1. Travessão solto. A IA corta a frase com um travessão pra dar ar de quem está refletindo. Na vida real, quase ninguém enfileira três deles no mesmo parágrafo.
  2. Contraste de molde. É a frase tipo “isso não é sobre tecnologia, é sobre pessoas”. Soa fundo, mas é o que a IA escreve quando não tem nada novo e precisa parecer que tem.
  3. Tom de documentário. “Vamos mergulhar fundo nisso”, “explorar as nuances de”. Gente de verdade diz “vamos ver”. Esse tom solene entrega o prompt rodado no automático.
  4. Jargão vazio. Ecossistema, sinergia, potencializar, alavancar. Tira a palavra, lê de novo, e a frase continua falando o mesmo. Era só enchimento.
  5. Fechada grandiosa. O “e isso muda tudo”, a frase bonita que caberia em qualquer assunto e não se compromete com nenhum.

Repare que nenhum dos cinco é sobre o que o texto diz. Todos são jeitos de ocupar espaço parecendo profundo.

O que o texto gerado custa pra você

O texto que cheira a IA cobra a sua credibilidade. No segundo em que alguém bate o olho e sente que foi a máquina, assume que você não pensou, só apertou um botão e colou. Num email, numa proposta, num post, isso pesa.

E aí o acabamento joga contra. Ele era pra impressionar, mas derruba a confiança na ideia, mesmo quando a ideia é ótima. Você perde nas costas de um texto que, no fundo, tinha conteúdo bom pra entregar.

Como escrever com IA sem cair nos vícios

O jeito de fugir dos cinco vícios é inverter a ordem: pensar primeiro, usar a IA depois. Quando você joga um tema vazio e pede o texto pronto, a IA preenche com os tiques, porque é o que ela faz de olho fechado.

O caminho é falar a ideia do seu jeito antes, nem que seja um áudio bagunçado ou um rascunho torto, e usar a IA pra editar o que você escreveu em vez de escrever por você. O miolo continua seu, ela só dá o acabamento. Os cinco vícios aparecem quando a IA pensa antes de você. Inverta essa ordem e eles somem quase sozinhos, porque o texto volta a sair de uma cabeça de verdade.

A regra vale pra muito além de escrita. A IA fica boa quando você organiza o contexto e entrega o seu raciocínio pra ela, em vez de esperar que ela invente um do nada. É o mesmo princípio que fez a Anthropic tirar a própria IA de 21% para 95% de acerto nos dados internos: mesma máquina, contexto melhor.


Tema do episódio 19 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como carrossel no Instagram @ratosdeia. Fonte original: memo interno do time de Alex e Leila Hormozi (Acquisition.com), divulgado por @itsolelehmann no X.

Perguntas frequentes

Quais são os vícios que entregam que um texto foi escrito por IA?

Os cinco mais comuns são: travessões soltos no meio da frase, o contraste de molde (tipo 'não é sobre X, é sobre Y'), o tom de documentário ('vamos mergulhar fundo nisso'), o jargão vazio (ecossistema, sinergia, potencializar, alavancar) e a fechada grandiosa ('e isso muda tudo'). Nenhum deles fala sobre o conteúdo, todos são jeitos de ocupar espaço parecendo profundo.

Por que a IA escreve sempre do mesmo jeito?

Porque ela não tem opinião nem gosto. Foi treinada em bilhões de textos e devolve o que mais apareceu, o padrão mais seguro e menos arriscado. O resultado sai polido e sem erro de português, mas também sem nenhuma marca pessoal. Parece que qualquer pessoa escreveu, e foi exatamente ninguém.

Como usar IA pra escrever sem cair nesses vícios?

Inverta a ordem: pense primeiro, use a IA depois. Em vez de jogar um tema vazio e pedir o texto pronto, fale a ideia do seu jeito, nem que seja um áudio bagunçado, e use a IA pra editar o que você escreveu, não pra escrever por você. O miolo continua seu, ela só dá o acabamento.

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